Afinal, o que é Segurança do Paciente?

Segurança do Paciente é o conjunto de ações voltadas para a prevenção de danos que possam acometer o paciente durante a assistência prestada.

Todos os anos, milhões de pacientes são prejudicados por cuidados de saúde inseguros. Sabe-se que 4% a 17% de todos os pacientes que são admitidos em um serviço de saúde sofrem incidentes relacionados à assistência à saúde (que não está relacionado à sua doença de base), podendo afetar sua saúde e recuperação.

Nos países desenvolvidos, 5 a 10% dos pacientes hospitalizados adquirem uma infecção; entre 7% a 10% dos pacientes em tratamento agudo experimentam um evento adverso a medicamentos e cerca de 5 a 15% das infecções pelo HIV nos países em desenvolvimento são devidas a transfusões de sangue inseguras.

A gravidade dos problemas e sensibilização quanto à Segurança do Paciente só foi percebida após a publicação do relatório “Errar é Humano” emitido pelo IOM em 1999 que revelou que 44 a 98 mil pessoas morrem a cada ano decorrente de falhas apresentadas na assistência prestada.

Devido à comprovação da relevância do tema e a necessidade de uniformização, a OMS criou a Classificação Internacional da Segurança do Paciente (ICPS) (do inglês, International Classification for Patient Safety). Além da ICPS, também foram instituídas pela OMS as 6 metas internacionais de Segurança do Paciente (identificação correta dos pacientes, comunicação efetiva, melhora da segurança dos medicamentos de alta vigilância, cirurgia segura, redução dos riscos de infecções relacionada a assistência à saúde e prevenção de danos decorrentes de quedas) preconizadas pela Joint Commission International (JCI).  Essas metas fazem com que os gestores consigam disseminar a cultura de segurança nos serviços de saúde.

O tema Segurança do Paciente é uma das 6 dimensões de qualidade dos serviços de saúde, e apesar de ter sido a última a ser incluída na lista, passou a ser considerada um atributo prioritário para o alcance de qualidade nos serviços de saúde.

Referências:

1 – Brasil. Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática. Brasília: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde (GVIMS); 2017.

2 – Kohn LY, Corrigan JM, Donaldson MS. To Err is Human: Building a Safer Health System Washington DC: National Academy Press; 2000.

3 – Brennan TA, Leape LL, Laird NM, Hebert L, Localio AR, Lawthers AG, et al. Incidence of adverse events and negligence in hospitalized patients. Results of the Harvard Medical Practice Study I. The New England Journal of Medicine. 1991 Fevereiro: p. 370-6.

4 – World Health Organization. Conceptual Framework for the International Classification for Patient Safety. Final Technical Report. World Health Organization, Patient Safety; 2009. Report No.: WHO/IER/PSP/2010.2.

5 – Brasil, Ministério da Saúde. Resolução de Diretoria Colegiada – RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Ações para a promoção da segurança do paciente e a melhoria da qualidade nos serviços de saúde. 2013 Julho.

Ana Carolina Cardoso Dantas —

  • Enfermeira, Mestranda em Segurança do Paciente pela Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.
  • Gestora da Qualidade em Saúde pela Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.
  • Avaliadora da Organização Nacional de Acreditação – ONA.
  • Especialista em Oncologia e Tratamento Antineoplásico pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.

Expertise em elaboração, implantação e reestruturação de processos de gestão da qualidade, segurança do paciente, planejamento estratégico, gestão clínica e administrativa de serviços de saúde.